Olá! Sou o Ricardo Teodoro. Nasci nos Açores e aqui resido na ilha de S. Miguel. Sou Cego mas vejo o mundo com os olhos do coração e quero, de uma forma descontraída , partilhar os meus pensamentos, músicas enfim o meu universo convosco. Acho, indubitavelmente, que é partilhando experiências e vivências que nos podemos tornar seres mais tolerantes e crescidos interiormente. Um Abraço a todos e voltem sempre que quiserem!
sábado, 28 de abril de 2012
Integrar Para Melhor Valorizar
INTEGRAR PARA MELHOR VALORIZAR
O trabalho é, sem dúvida, além da sustentabilidade económica, um dos fatores principais na realização pessoal e integração plena na sociedade. É, por isso, crucial que, ao escolher uma profissão, cada um se sinta, minimamente, vocacionado para as tarefas que lhe serão confiadas. De outra forma, o risco de insatisfação, e consequentemente pouca produtividade, criará um quadro desfavorável para a entidade empregadora e, logicamente, para o trabalhador.
Para a pessoa com deficiência, como para qualquer outra, fazer algo que se gosta profissionalmente é, com certeza, determinante para o aumento da autoestima e, também, para uma maior capacidade de resposta às adversidades inerentes à carreira profissional.
Para quem tem alguma limitação física, fazer o que se gosta não é nada fácil por uma série de fatores. Desde logo a situação de deficiência, infelizmente, acarreta uma conotação muito negativa de uma suposta dependência que, muitas vezes, não é real.
Por causa de conceitos erróneos e ideias preconcebidas, muitos empregadores negam a estas pessoas a oportunidade de mostrarem o que realmente valem. Valor indiscutível e que poderia constituir um exemplo para os demais trabalhadores.
Por outro lado, prevalece um certo protecionismo por parte das entidades competentes, que se limitam, muitas vezes, a conceder um subsídio de incapacidade de 189 euros. Como se fosse possível viver com este montante ridículo!
O que nós queremos, e merecemos, é uma verdadeira política de incentivo á empregabilidade de pessoas com deficiência. Urge realizar cursos de formação profissional que correspondam, efetivamente, às necessidades do mercado laboral. Não se vá cair no erro de formar para o desemprego! Alem disso, o acompanhamento pós formação terá de ser reforçado, não se limitando á procura de estágios temporários, que até na maioria dos casos são positivos, mas não constituem uma solução definitiva.
É importante darem uma oportunidade a estas pessoas, tal como eu portadoras de uma incapacidade física, de mostrarem, que para além das suas dificuldades, há um mundo repleto de sonhos à espera de serem concretizados. Há um universo pintado de esperanças e anseios! Há um desejo, constante, apesar da nossa diferença, de sermos iguais a toda a gente no acesso ao trabalho, à educação, ao lazer e à sociedade da informação.
Quantas vezes pedem uma mão e a única resposta é o vazio e o silêncio! Uma simples palavra de incentivo poderia fazer toda a diferença!
Como seria bom se, um dia, o esplendor quente do sol, brilhasse na imensidão azul do céu, irradiando toda a sua Luz Numa terra de prados verdejantes! De riachos de águas cristalinas! Numa terra de paz e, acima de tudo, de muita igualdade! Parecerá uma utopia, mas não é. Basta que cada um de nós abdique um pouco do orgulho pessoal e viva em prol da felicidade dos outros. E não há maior felicidade que fazer alguém sorrir!
Com esforço e muita confiança, consegui me integrar profissionalmente. Trabalho como telefonista. Recebo cada chamada telefónica com muita atenção, como se falasse olhos nos olhos com quem me liga. Quem sabe se do outro lado da linha possa estar alguém que, cansado das correrias rotineiras, da selva do quotidiano, precise de uma palavra de ânimo e simpatia?
Valorizo muito a minha profissão, não só pela independência económica que me dá, mas, acima de tudo, porque me permite descobrir que por trás de uma voz pode se esconder uma pessoa cheia de qualidades e com um coração de ouro. De fato, no decorrer de 17 anos de trabalho conheci muita gente nobre e bonita que permanece até hoje no meu universo emocional.
Finalizando: quero salientar que o profissionalismo não depende da força física, mas sim da concentração e empenho que cada um dedicar aquilo que faz.
Não se esqueçam de dar uma oportunidade a quem a natureza privou de algum sentido de mostrar o seu real valor!
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